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O futebol na política do pão e circo

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16 de junho de 2013 por Eder Silva

“…Tem algo no ar que não pode ser desmerecido por comentários derrisórios de jornalistas de plantão e análises superficiais de sociólogos acadêmicos. Uns acham que é ato inconsequente de jovens mimados, falta do quê fazer; outras, que é gente incapacitada para o diálogo. Por que uma comissão de jovens não dialoga com o prefeito? Aos que os jovens desaforadamente respondem: “Como pode haver um diálogo entre o c… e a p…?”
Não se dialoga com a máquina da modernidade líquida, como poderia dizer Zygmunt Bauman. O diálogo sempre é falso e se dá em condições de poder do mais forte e com propósitos farsantes. A máscara do farsante cai bem a propósito da ironia dos jovens.
O Brasil – e alguém diria, o mundo – parece ter virado uma farsa cheia de mentiras, conversa mole, enganações e espetáculos. O derramamento de dinheiro para a Copa, para as Olimpíadas, se contrasta com as ruas esburacadas, com os estádios mal feitos, com as leis ridiculamente draconianas, com as sempiternas filas de hospitais, com a educação às aparências sem sentido, com o trânsito ruim demais, os trens cheios e demorados, com os ônibus – sim, os ônibus e as passagens – para deixar todo mundo revoltado, doente de frustração e de não saber o quê fazer mais. Quase todo mundo já encheu o saco de tudo isso, mas quase ninguém sabe como dizer, agir e mudar…”.

(retirado de http://br.noticias.yahoo.com/por-que-m–os-jovens-protestam-181040963.html, Por Mércio Gomes).

Alguns denominam pós-modernidade, outros simplesmente modernidade. Mas o fato é que estamos em tempos de transição, tempos de difícil formatação. Se isso é ruim, não sei. O que sei é que nossa era é rechaçada de efeitos de desconstruções, rupturas, transições e crise de identidades, sendo este último um elemento a se considerar seriamente.

A suposição é de que as massas (no plural mesmo, pois já não é latente o mesmo idealismo apaixonante dos jovens dos 80’s) não mais se agrupam com uma bandeira em punhos, antes, indignadas com a irrefreável máquina sufocante que é o sistema opressor e repressor estatal burocrático.

O que temos, então, são indícios, fagulhas, fragmentos de descontentamento, buscando uma identidade ou ao menos um elemento comum a todos para regressar a valores ora suprimidos sutilmente pelos aparelhos ideológicos (imbecilizantes) do estado, a saber: mídia (em primeiro plano), politicagem, (des) educação, polícia (aliás, “para quem precisa?”) e, embora em menor grau, religião, que contribui solidariamente para enferrujar qualquer instinto reacionário das massas, propagando a tão almejada vida além morte, a saber, incutir o “deixa-disso” e projetar os interesses sociais para a eternidade, subjetivamente escatológica.

As duas últimas semanas foram marcadas por manifestos, descontentamentos de uma massa disforme; também acrescente-se a uma mídia mercenária e parcial, onde as notícias são compradas pelas elites dominantes, e vomitadas num público confuso e disperso. Não que eu diga que a solução possa se apresentar em forma de “coletivização”; acredito que não seja isso o mais racional a se projetar.

Mas, a semana terminou com um desfecho culminando com a visita do marqueteiro, atual presidente da Fifa, e cria do João Havelange, Sr. Joseph Blatter, quando na abertura da Copa das Confederações Fifa 2013, ao lado da presidente Dilma Rousseff, em meio a vaias, interpondo-se ao poder público ali presente e ora vaiado, pediu “mais respeito”. No mínimo, este deveria ficar calado e não se meter em assuntos que não conhece ou que não lhe compete. Basta à ele cuidar das espúrias corrupções e cartolagens no mundo do futebol.

Bom, isso veio me lembrar de um ditado popular onde diz que “o porco deu sinal de vida”. Refiro-me aqui aos instintos sórdidos de um mandonismo coronelista que tenta descaradamente tirar do povo o direito à insatisfação para com a administração pública. E isto se deu em público e em cadeia mundial, tanto para inglês como pra japonês ver!

É certo que a melhor maneira de se vingar desta falta de personalidade da política brasileira seria de não pagarmos nenhum centavo para os jogos de futebol; de boicotarmos. Mas, se as únicas coisas que nos restam são protestos e lamentos em meio a pão e circo, então que não se lhes caiba nos proibir, “senhores de engenho” de um Brasil sem ordem nem progresso. Que isso seja transmitido aos quatro cantos da terra e que saibam o quão bonitinha mas ordinária é a estrutura de poder à qual o povo brasileiro está “submeticulosamente” ferrado, pra não dizer que não falei das flores, é claro.

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Outsider é um termo voltado àqueles que buscam enxergar não apenas o que está impresso na capa, o que aparentemente é mostrado como verdadeiro, mas também o lado de fora, o que muitos se abstêm de averiguar. O outsider é o caminhante, o peregrino, o visionário forasteiro que vê o que há de ilimitado nas hipóteses. O que não aceita de imediato o pré-estabelecido. No livro "O outsider" Collin Wilson chegou bem próximo do que expressa o termo. Entre o real e o virtual, escrever afinal não faz nem um mal. Mesmo assim, aí vai meu sinal, pra você, leitor, que não quer só o trivial, e sim o que vai além, o transcendental, o total, o essencial. Embarque nessa trip, e vamos juntos, vamos fundo nessa aventura. Fique à vontade, a casa é sua!

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