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Não há mentiras nem verdades aqui, só há música urbana…

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21 de junho de 2013 por Eder Silva

E mais uma criança nasceu, nesses dias, iluminada não pela estrela de Belém, mas pelas vertentes de indignação e repúdio aos ditames insanos do sistema rançosamente podre do mandonismo herdado dos nossos colonizadores inquisidores.

E essa criança ainda não tem nome, nem pai, nem mãe. Por enquanto é um simulacro abortivo de tantas outras inseminações. Mas desta vez soltou seu “uivo poético” (ainda não sei se profético) nos tímpanos já entorpecidos de uma nação que se diz “gigante pela própria natureza”.

Há, no mínimo, um paradoxo a ser considerado: “mas que gigante é esse, que dorme em berço esplêndido”, mas que sua luz fora ofuscada desde os idos tempos de uma teimosia ditatorial?

Enfim, a criança nasceu, e seu grito se faz ouvir pelas ruas enlameadas da chuva atípica do inverno.

Quanto ao seu nome, soa no mínimo deselegante arriscar algum para se lhe atribuir. Deixemos que os ventos gélidos se encarregue disso!

Há os que se regozijam com esta nova aurora, com a possível ruptura da letargia ora reinante em nossa sorrateira personalidade.

E há os que torcem o nariz, sentindo pena de um governo no qual necessita muito ainda treinar seu “jeitinho malicioso de se governar”. Que Maquiavel não venha ressuscitar ou aparecer em sonho… Mas navegar é preciso, embora o mar não esteja pra peixe, e sim pra tubarões. Para estes zelosos conservadores de plantão vos digo: Se estão com dó, é simples – levem pra casa!”.

Se há algum trejeito a se notar nessa nova criança nascida em uma manjedoura no meio dos subúrbios, das periferias e dos centros urbanos, é o fato de que não se chama pelo nome, mas por adjetivos cujos signos nos leva a refletir sobre o tempo que se passou onde as mudanças não ocorreram de fato, onde as ideologias já gastas pela demagogia não mais comovem a plateia. Onde o cenário se transfere para as praças, para as arenas; e a disputa não é na agenda pública; a mídia não mais consegue manipular os desejos da massa ou se colocar como interlocutora ou mediadora, mas quem assume a ação neste ritual de interação (GOFFMAN), é a rede social, a matrix onde os simulacros e simulações adquirem “corpus” e notoriedade.

Uma coisa é certa: a mesma ingenuidade de uma democracia principiante não está mais incutida no (in) consciente coletivo. Agora há um quê de maturidade mesclada com intolerância e senso de realidade, onde a crítica, as palavras de ordem e manifesto não são dirigidas à personalidades representativas de governo (s) e sim ao sistema ineficiente, cuja explicação supõe-se decorrente de uma crise de ideologia partidária há muito impregnada na conjuntura política do país, decorrente das necessidades de conchavos (conspirações) de uma elite que rapidamente aprendera a lutar para se manter no poder através de discursos utópicos a uma maioria de eleitores cuja cultura política é ainda rústica e ingênua, mesmo que decorrente das conquistas denominadas sufrágio universal. E desta ambientação (sufrágio universal) nos acomete também derrotas, ou seja, é o mesmo que dar uma ferramenta mas não ensinar o trabalhador o que deve-se fazer com ela. É o mesmo que nos servir um prato de filé mignon contaminado por uma mosca…

Contudo, nessa trajetória que já dura mais de uma semana, eu me arrisco em dizer que o mais certo nesta crise de identidade e de necessidades é que o inimigo se faz conhecer, a saber: a falácia dos sistemas e dos discursos políticos caíram na esquerda do povo. E o que se pode pensar de positivo, é de que a cultura política está se reformatando, se projetando talvez tornando-se mais madura e auto-reflexiva. É uma conjectura a se pensar.

“Até quando esperar, a plebe ajoelhar, esperando a ajuda de Deus…” (Plebe Rude, banda de Brasília).

Eder Silva é turismólogo (UP, 1999-2002) e gestor da informação  (UFPR, 1999-2001, inconcluso), especialista em Sociologia Política (UFPR, 2011-12) e atualmente cursando como aluno especial o mestrado em Sociologia (Ufpr turma 2013). Este artigo reflete as opiniões do autor, cabendo ao leitor refletir e avaliar as aplicações contidas.

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Um pensamento sobre “Não há mentiras nem verdades aqui, só há música urbana…

  1. O patriota que defende sua causa política com o poeta que brinca com o ritmo das palavras. Perfeito casamento!
    Um texto inteligente, crítico, dinâmico como o próprio escritor se mostra.
    Parabéns!

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