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O homem whitmaniano das terras frias curitibana

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11 de novembro de 2013 por Eder Silva

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Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado,
E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho.

Walt Whitman

Quem disse que meu dia, nesta segunda, seria um dia com sabor, com aroma? Aliás, já faz uns 7 dias que não sinto gosto de nada. A garganta inflamada, a voz quase rouca e enfraquecida. Enfim, tratei logo de sair e caminhar um pouco no campus da universidade e me livrar ou aliviar essa minha frustração desse lugar, dessa terra fria, de gentes frias… enfim, tentar romper essas minhas indignações conflituais!

Fui tomar um café bem quente, com a intenção de quebrar o jejum e arriscar sentir algum gosto, algum paladar.

Servi-me e me sentei na extremidade, um tanto afastado da multidão dos rostos antissépticos dos alunos. Observei que na outra extremidade da lanchonete havia um homem de barbas pretas e longas, usando um boné bem surrado; talvez pela possibilidade de seu portador ser um caminhante pensante! Tirei minhas conclusões que eu já o havia visto antes. Uma feição um tanto familiar. Primeira coisa que me veio à mente foi  o nome Walt Whitman, poeta visionário da metade do século XIX, contemporâneo do libertário ativista Henry David Thoreau.

Pensei mais um pouco e me lembrei que certa vez realmente eu já o havia visto, caminhando, cruzando minha caminhada matinal há uns 2 anos, pelo menos… me lembrei que na ocasião eu tive uma certa vontade de abordá-lo, conversar sobre algo. Sabe quando olhamos para alguma pessoa estranha e sentimos uma vontade entusiasmada, mas contida, tímida, de conhecê-la, saber sobre o que pensa, no que crê, o que faz? Então, foi um desses sobressaltos que novamente tive, com esta mesma pessoa. Então, de súbito ele saiu de seu lugar (na outra extremidade), e sentou-se a umas três mesas na fila paralela à minha. Ficou tomando seu café, olhando pra frente, parecendo concentrado em algo além do metafísico, além da estrutura sólida que havia à sua frente… Ao observa-lo, lembrei-me de algumas palavras do poeta: “A pé e de coração leve enveredo pela estrada aberta/ Saudável, livre, o mundo à minha frente / À minha frente o longo atalho pardo levando-me aonde eu queira / Daqui em diante, não peço boa-sorte./ Boa-sorte sou eu…” (Walt Whitman)

Em seguida pensei: “o que eu poderia usar como pretexto pra puxar assunto? Afinal, não tenho motivo algum para tal, a não ser minha suposta curiosidade em saber se sua aparência tinha realmente algo relacionado ao poeta místico filosofal Walt Whitman. Pensei em falar-lhe das minhas reflexões sobre as aglomerações mais visíveis em nossa sociedade: a grande concentração das massas nas universidades e nas igrejas, e o que elas podem significar, ou seja,  a possibilidade de que tanto igrejas como universidades estão cheias      de pessoas vazias! Eram essas palavras que eu sentia que talvez pudessem nos aproximar de alguma forma. Mas, como sempre, meus instintos interioranos e tímidos se fizeram presentes e me desviaram para outro plano. “Existo como sou, Isso é o que me basta: Se ninguém mais no mundo toma conhecimento, eu me sento contente; e se cada um e todos tomam conhecimento, eu contente me sento. Existe um mundo que toma conhecimento, e este é o maior para mim: o mundo de mim mesmo. Se a mim mesmo eu chegar hoje, Daqui a dez mil ou dez milhões de anos, posso alcançá-lo bem disposto ou posso bem disposto esperar mais.” (Walt Whitman)

O que me restou dessa situação foi essa minha vontade incontida de escrever e rememorar algumas das frases poéticas do Walt Whitman, o poeta das almas!

 “Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões.” (Walt Whitman)

“Creio que eu poderia transformar-me e viver como os animais. Eles são tão calmos e donos de si! Detenho-me para contemplá-los sem parar. Não se atarantam nem se queixam da própria sorte; não passam a noite em claro, remoendo suas culpas, nem me aborrecem falando de suas obrigações para com Deus. Nenhum deles se mostra insatisfeito; nenhum deles se acha dominado pela mania de possuir coisas; nenhum deles fica de joelhos diante de outro, nem diante da recordação de outros da mesma espécie que viveram há milhares de anos. Nenhum deles é respeitável ou desgraçado em todo o amplo mundo.” (Walt Whitman)

Eder Silva é iniciante nas ciências sociais, especialista em Sociologia Política (UFPR); bacharel em Turismo (UP). Este artigo reflete as opiniões do autor. O site não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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2 pensamentos sobre “O homem whitmaniano das terras frias curitibana

  1. Luiz Carlos disse:

    Muito Bom!

  2. Iza Silva. disse:

    Izabel F. da Silva
    14 de novembro de 2013 as 16:50.

    Boas palavras. Não gosto do clima de Curitiba.

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